segunda-feira, 2 de abril de 2012
DE BANDEIJA
Quando leio certas e determinadas coisas(artigos ou crónicas,espécies disso),publicadas por certa e determinada gente,por vezes,acerca-se-me do espinhaço um vendaval de arrepios...
Eu sei,que me vão dizer que estamos num país Democrata e onde a liberdade de expressão é o expoente máximo de uma democracia,e que cada qual é como é,e cada qual diz e escreve os disparates que muito bem entender,sem ter medo do gume da censura de outrora.Mesmo assim atrevo-me a perguntar;será essa a maneira mais correta de cativar um leitor?E quiçá,de angariar novos leitores?Na minha modesta opinião,acho que não.
Posto isto,e em vez de se escrever tanta baboseira,não lhes ficaria melhor escreverem algo sobre a profissão que exercem e tão bem conhecem?É que assim, ainda teriam a oportunidade de ensinarem alguma "coisinha" e contribuir para a arte...
É que subir degraus para os quais não têm pernas torna-se tarefa difícil e complicada...E,depois,lá surgem comentários menos agradáveis;como,por exemplo,:Ah!,valha-nos a santa ignorância e a refinada hipocrisia!!!
sábado, 31 de março de 2012
AQUELE,ECLIPSE
Recordo-me muito bem.Foi na encosta norte do Miradouro da Bandeira.Em plena SERRA da BOA VIAGEM.
Eu, como fazia tantas vezes,nesse dia acompanhava-o.Nos meus nove ou dez anos,tinha como tarefa carregar o bornal da "bucha" e a inseparável cabaça do tinto.E eu gostava!Dava-me um gozo imenso caminhar por entre aquele verdejante e cerrado matagal.Não havia silva,tojo ou silva-cão que me mete-se medo...
Meu pai, como caçador exímio que era,encostado a um tronco de enorme e robusto pinheiro,de espingarda em riste,à "coca" de qualquer coelho levantado da cama pelo estrondoso latido dos cães,nem sequer pestanejava.Quando,de repente,e sem que nada o fizesse prever,o azul-celeste daquele início de manhã outonal se tornou negro como o breu.
O dia transformou-se em noite.Não se via um palmo à frente do nariz.(E chuva nem vê-la.)Entre mim e o meu pai fez-se um enorme silêncio.
__Mas, que raio se estaria a passar?...perguntei para os meus botões.__Foi então que,como que num golpe de magia,lembrei o que a Sra.Professora tinha falado numa lição, pouco tempo antes na escola.__«Quando o Sol desaparece,em pleno dia,e depois surge a noite,a isto chama-se um ECLIPSE.»__Nessa altura,e com a voz de quem teria descoberto os "astros" ,gritei para meu pai.__Pai,isto é um ECLIPSE!__
Ele,na sua postura de homem firme e sabedor das "coisas" da NATUREZA,respondeu.
__«Eu sei,filho.Isto não demora!...»__ E dito isto e como por magia das palavras de meu pai,a Luz do dia voltou.
E que dia..."Fizemos" uma caçada das grandes!O meu pai,com um bom par de coelhos pendurados à cintura e eu,já com o bornal e a cabaça mais leve,regressamos a casa em plena euforia.Meu pai,pela caçada feita e eu por que nunca tinha assistido a um FENÓMENO DA NATUREZA.
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