sábado, 31 de março de 2012
AQUELE,ECLIPSE
Recordo-me muito bem.Foi na encosta norte do Miradouro da Bandeira.Em plena SERRA da BOA VIAGEM.
Eu, como fazia tantas vezes,nesse dia acompanhava-o.Nos meus nove ou dez anos,tinha como tarefa carregar o bornal da "bucha" e a inseparável cabaça do tinto.E eu gostava!Dava-me um gozo imenso caminhar por entre aquele verdejante e cerrado matagal.Não havia silva,tojo ou silva-cão que me mete-se medo...
Meu pai, como caçador exímio que era,encostado a um tronco de enorme e robusto pinheiro,de espingarda em riste,à "coca" de qualquer coelho levantado da cama pelo estrondoso latido dos cães,nem sequer pestanejava.Quando,de repente,e sem que nada o fizesse prever,o azul-celeste daquele início de manhã outonal se tornou negro como o breu.
O dia transformou-se em noite.Não se via um palmo à frente do nariz.(E chuva nem vê-la.)Entre mim e o meu pai fez-se um enorme silêncio.
__Mas, que raio se estaria a passar?...perguntei para os meus botões.__Foi então que,como que num golpe de magia,lembrei o que a Sra.Professora tinha falado numa lição, pouco tempo antes na escola.__«Quando o Sol desaparece,em pleno dia,e depois surge a noite,a isto chama-se um ECLIPSE.»__Nessa altura,e com a voz de quem teria descoberto os "astros" ,gritei para meu pai.__Pai,isto é um ECLIPSE!__
Ele,na sua postura de homem firme e sabedor das "coisas" da NATUREZA,respondeu.
__«Eu sei,filho.Isto não demora!...»__ E dito isto e como por magia das palavras de meu pai,a Luz do dia voltou.
E que dia..."Fizemos" uma caçada das grandes!O meu pai,com um bom par de coelhos pendurados à cintura e eu,já com o bornal e a cabaça mais leve,regressamos a casa em plena euforia.Meu pai,pela caçada feita e eu por que nunca tinha assistido a um FENÓMENO DA NATUREZA.
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